O ciclo menstrual pode alterar os sintomas motores de mulheres jovens com Parkinson!
O relato de um caso de uma mulher jovem com Parkinson, publicado numa revista de impacto, mostrou a influência dos hormônios femininos dos sintomas motores da doença.
Quando se houve falar de Parkinson logo vem à mente a figura de um senhor com mais de 70 anos com tremor. Nunca se pensa imediatamente numa mulher jovem, ainda em idade fértil, com lentidão, rigidez e tremor. Isso é totalmente justificável pois casos de início precoce, por volta dos 30 anos, são raros. Além disso, a doença de Parkinson é mais comum em homens do que mulheres e o estrogênio como fator protetor é uma das justificativas desta diferença.
A questão é: embora rara, a doença de Parkinson acontece em mulheres jovens na idade fértil e é importante abordar as particularidades do tratamento nesta população, como a influência do ciclo menstrual nos sintomas motores e como deve-se conduzir uma gestação em uma paciente parkinsoniana.
Para ilustrar a relação hormônios femininos e sintomas motores, vejam o caso relatado este mês na Mov Disord: mulher de 37 anos com Parkinson, em otimização do seu tratamento medicamentoso, percebeu-se que os sintomas motores pioraram de forma abrupta coincidentemente com o seu período perimenstrual (gerando a impressão que a levodopa não fazia tanto efeito). Feita esta correlação, foi tentado o DIU de progesterona inicial, sem melhora significativa desta flutuação motora. Com a troca para o anticoncepcional combinado oral contínuo, paciente melhorou seus sintomas motores e essa melhora se manteve estável.
Explicação: Há uma hipótese que o estrogênio tem uma função facilitatória na modulação das vias da dopamina no cérebro, justamente a circuitaria mais afetada no Parkinson. Evidências que dão suporte à esta teoria:
- Estrogênio como protetor da doença na mulher: há mais homens acometidos pela doença que mulheres; paciente com período fértil maior (mais exposição ao estrogênio) começam a doença mais velhas.
- Cerca de 60% das mulheres jovens referem flutuação motora relacionada ao período menstrual.
- Dados de análise das ondas cerebrais relacionadas aos sintomas motores (faixa beta) em cérebros de mulheres com Parkinson com DBS no STN mostraram que há uma menor supressão das ondas na fase lútea (que vai da ovulação à menstruação).
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