Quais são os remédios que vêm sendo estudados para alívio dos sintomas da doença de Parkinson?
No ano de 2024, diversas medicações com o objetivo de melhorar os sintomas motores e não motores da doença de Parkinson foram estudadas. Confira no texto os destaques:
Direto ao ponto, os principais tratamentos dos sintomas do Parkinson, publicados em 2024:
Novas formulações da levodopa, para fornecê-la de forma mais estável e contínua:
- IPX203: levodopa-carbidopa de liberação prolongada, em cápsula, via oral. Estudo RISE-PD mostrou redução do tempo off com 3 tomadas ao dia do IPX203, quando comparado com 5 tomadas ao dia da formulação da levodopa-carbidopa de liberação imediata.
- Levodopa de infusão subcutânea por 24h (2 formulações: foslevodopa-foscarbidopa e ND0612; ambas demonstraram melhora do off sem discinesias em estudos de fase 3).
- Levodopa-carbidopa micropump intraoral (estudo DopaFuse, fase 2, mostrou estabilidade no plasma e redução do tempo off).
Novas formulações de agonistas dopaminérgicos (medicações que estimulam diretamente o receptor da dopamina):
- Rotigotina subcutânea de uso 1x/semana. Estudo mostrou segurança e boa tolerância.
- Tavapadon (estimula receptores D1 e D5): terapia adjuvante à levodopa, aumento 1,1h no on sem discinesias.
Anti-discinesias: Mesdopetam (antagonista do receptor dopaminérgico D3). Tem também efeito antipsicótico e mostrou reduzir discinesias sem piorar o quadro motor.
Entrega de genes terapêuticos (GDNF e o AADC) no cérebro (no putâmen), via neurocirurgia, para melhorar a sobrevivência e a função dos neurônios produtores de dopamina. Um estudo de fase 1 mostrou que a administração do GDNF no cérebro foi bem tolerada, sem efeito adverso. Os resultados ainda não foram publicados.
Transplante de células tronco no cérebro (se diferenciam em células produtoras de dopamina e aumentam a produção desta molécula):
- Bemdaneprocel (terapia celular): estudo de fase 1, mostrou segurança e tolerabilidade. Os que receberam a dose maior aumentaram o tempo on em 2,7h sem discinesias. Houve melhora da avaliação motora (UPDRS3) após 18 meses. Resultados ainda não publicados.
Para sintomas não motores:
- Hipotensão ortostática: Droxidopa (aprovada pelo FDA) e Ampreloxetina (resultados inconclusivos).
- Depressão e ansiedade: Vortioxetina (melhorou inclusive cognição) e Clembuterol + Nadolol (estudo de fase 2, ainda não publicado).
Importante reforçar que o tratamento da doença de Parkinson pode ser dividido em: medicações para alívio dos sintomas e drogas modificadoras de doença. Até o presente momento, nenhuma substância mostrou curar ou mudar o curso da doença, embora alguns compostos tenham apresentado resultados promissores. O tratamento atual tem como base as medicações sintomáticas, cujo papel é melhorar os sintomas motores da doença de Parkinson. As novas pesquisas com medicações sintomáticas têm como foco otimizar as formulações das medicações já existentes ou desenvolver novas com melhor perfil de eficácia.
Além disso, vale lembrar que para uma substância ser comercializada, ela tem que passar por algumas etapas: estudo pré-clínicos (em modelos animais) > estudo de fase 1 (avalia qual a melhor dose e via de administração) > fase 2 (avalia a segurança e eficácia) > fase 3 (desenho mais elaborado, comparação com placebo, em vários centros). O estudo de fase 3 fornece todas as informações que vão para a bula e só após seu resultado é que as autoridades sanitárias podem conceder a aprovação para comercialização. Logo, sempre atentem-se às fases dos estudos de compostos que vocês veem em notícias como ?novo remédio para doença X?, pois de nada adianta querem saber onde vende o ?novo remédio? que ainda está sendo pesquisado em um estudo de fase 2 (por mais promissor que ele seja).
Com isso, finalizamos: mantenham o interesse, com clareza (evidência), prudência e esperança, claro!
Deixe seu comentário
Comunidade Parkinson News
Seu canal de atualizações sobre a doença de Parkinson: notícias, estudos de impacto, pesquisas em andamento, conteúdo de eventos e congressos, dicas práticas e muito mais!






















































