O que tem sido pesquisado para impedir a progressão da doença de Parkinson?
Um compilado de fármacos e intervenções que vem sendo pesquisados com o objetivo de barrar a evolução da doença no ano de 2024.
Sobre as principais drogas estudadas em 2024 para tentar impedir a progressão da doença de Parkinson. Para facilitar a compreensão, vamos dividir os mecanismos de ação dessas drogas em três grupos:
1. Reduzir a alfassinucleína tóxica (proteína causadora da doença de Parkinson):
- Anticorpos monoclonais (injeções com proteínas que se ligam à alfassinucleína para inativá-la ou destruí-la). Dois foram estudados: Cinpanemab (estudo SPARK, negativo) e Prasinezumab (estudo PASADENA, que resultou numa tendência de redução de progressão de doença nos pacientes tratados. Por isso, um novo estudo com este anticorpo está acontecendo, o PADOVA, com resultados preliminares divulgados nesta semana, mostrando um potencial de benefício, mas ainda sem uma significância estatística).
- Inibidores de agregação da alfassinucleína (que a torna tóxica): Minzasolmin (bons resultados in-vitro e em modelos animais, mas estudo em humanos de fase 2 ORCHESTRA não mostrou benefício no Parkinson) e Anle138b (apenas estudos em modelos animais, com bons resultados).
- Buntanetap (reduz a tradução do mRNA que codifica a proteína alfassinucleina tóxica). Os resultados de um estudo de fase 2 ainda não foram publicados.
- Vodobatinib (iniba uma enzima que participa da neurodegeneração induzida pela alfassinucleína, a c-ABL kinase). Estudo PROSEEK, fase 2, completou a fase de captação de participantes.
2. Corrigir os defeitos enzimáticos gerados por alguns genes que, quando em mutação, causam a doença.
- Inibidores da atividade quinase induzida pela mutação do LRRK2: molécula BIIB122, estudo LUMA, em andamento.
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- Ativadores da glucocerebrosidase em pacientes com mutação GBA: composto BIA 28-6156, estudos de fase 2 em andamento.
3. Reduzir a inflamação cerebral:
- Tomaralimab (anticorpo monoclonal anti TLR2, que é um receptor envolvido na principal via de inflamação e, quando bloqueado, reduz o estresse oxidativo): apenas estudos de fase 1.
- Lixisenatide (agonista do receptor GLP-1, usado para tratamento de obesidade de diabetes): estudo de fase 2 mostrou reduzir a progressão dos sintomas motores após 12 meses de uso.
Até o momento, não foi encontrada uma medicação que modifique de forma definitiva o curso da doença de Parkinson, mas os resultados das pesquisas de 2024 são bastante promissores. O principal desafio na busca por um tratamento eficaz está no fato de que a causa exata da degeneração celular associada ao Parkinson ainda não foi completamente elucidada. Sabe-se que há deposição de alfassinucleína agregada, o que é tóxico, e que essa deposição desencadeia uma cascata de inflamação celular e disfunção mitocondrial. No entanto, a sequência precisa de eventos e seus responsáveis ainda não foram completamente identificados. Assim, estamos lidando com múltiplos pontos de uma cadeia de fatores que levam à degeneração, o que torna difícil que uma única molécula consiga interferir eficazmente em todos esses processos, concordam?
Além disso, as medicações atualmente testadas são administradas a pacientes já diagnosticados, cujos cérebros já apresentam o processo degenerativo em andamento. Talvez a chave esteja em intervir precocemente, ou seja, em pacientes com risco de desenvolver Parkinson, antes que a neurodegeneração se instale. Nesse sentido, o campo dos biomarcadores?substâncias que indicam a presença da doença?tem avançado significativamente, oferecendo novas possibilidades para diagnósticos mais precoces e tratamentos mais eficazes.
Com isso, finalizamos: mantenham o interesse, com clareza (evidência), parcimônia (ponderação) e esperança, claro!
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