Evento aborda duas terapias avançadas na doença de Parkinson!

PULSE-PD, um evento que discutiu sobre a levodopa de infusão subcutânea por 24h e sobre o ultrassom para tratamento do tremor na doença de Parkinson.

Nos dias 11 e 12 de abril, aconteceu o PULSE-PD, um evento voltado para profissionais da saúde especializados em Doença de Parkinson. O simpósio foi realizado no Hospital Israelita Albert Einstein com o objetivo de apresentar e discutir terapias avançadas no tratamento da doença. A organização ficou por conta dos nossos colegas neurologistas Dr. Rubens Cury e Dra. Jacy Parmera. Destaque especial para a Dra. Isabela Paraguay, idealizadora desta plataforma, que ministrou uma aula brilhante!

Antes de mais nada, o que são TERAPIAS AVANÇADAS?
Chamamos de terapias avançadas os tratamentos mais complexos, indicados para fases moderadas ou avançadas da Doença de Parkinson. Esses tratamentos têm como objetivo melhorar os sintomas motores e as chamadas flutuações motoras, como o efeito curto da levodopa ou as discinesias induzidas pela medicação. Um exemplo de terapia avançada já amplamente utilizada é o DBS (ou estimulação cerebral profunda).

Durante o evento, foram discutidas duas principais terapias:

1. Levodopa Subcutânea de Infusão Contínua:
Esse tratamento consiste na infusão da foslevodopa + foscarbidopa (forma líquida) diretamente no tecido subcutâneo por meio de uma pequena agulha conectada a uma bomba de infusão (semelhante a um rádio portátil). A infusão ocorre de forma contínua ao longo do dia, de maneira semelhante às bombas de insulina usadas nos pacientes com diabetes.
Após a infusão, o medicamento é convertido em sua forma ativa (levodopa + carbidopa) e passa para a corrente sanguínea até atingir o cérebro (e assim, gerar seu efeito de melhorar os sintomas motores da doença de Parkinson).
Vantagens:
- Proporciona uma liberação mais controlada e estável da levodopa, durante 24h.
- Evita as variações de efeito causadas pela administração oral, como interferência da alimentação e do funcionamento intestinal.
Desvantagens:
- Necessidade de carregar o pump durante o dia todo.
- Possibilidade de inflamação no local da inserção da agulha.
Importante: A indicação é individualizada, sendo o neurologista especialista quem determinará a melhor conduta.?
A terapia ainda não está disponível no Brasil, mas há expectativa de liberação pela Anvisa ainda este ano ou no próximo. Já é utilizada no Japão, Europa e Estados Unidos, mas ainda não se sabe por quais vias os pacientes brasileiros poderão ter acesso (se por planos de saúde, sistema público ou aquisição particular).

2. Ultrassom Focado de Alta Intensidade (HIFU):
Conhecido internacionalmente como HIFU (High Intensity Focused Ultrasound), esse é um procedimento não invasivo que já vem sendo utilizado em diversos países e agora está disponível também no Hospital Israelita Albert Einstein. Trata-se de um tratamento para alívio do tremor e não para a cura da doença.
- Como funciona? O HIFU utiliza imagens de ressonância magnética (RM) para mapear o cérebro do paciente, enquanto ondas de ultrassom de alta intensidade são direcionadas com precisão ao ponto responsável pelo tremor. A convergência das ondas provoca uma lesão térmica controlada, que resulta no alívio dos sintomas.
- Para quem o HIFU está indicado? Pacientes com Parkinson que apresentam tremores refratários ao tratamento medicamentoso.
Vantagens:
- Procedimento realizado em um único dia.
- Técnica não invasiva, sem necessidade de cirurgia.
Desvantagens:
- Há risco de efeitos adversos se a lesão atingir áreas adjacentes, podendo causar desequilíbrio, formigamento ou alterações na fala.
- Como é um procedimento único (e não ajustável), o sintoma tratado pode "voltar" a depender a evolução da doença.
Importante: Cada caso deve ser cuidadosamente avaliado pelo neurologista assistente e pela equipe responsável pelo HIFU, garantindo a segurança e a eficácia do procedimento.

Considerações finais:
Este é um momento de grande avanço no tratamento da Doença de Parkinson, ampliando o leque de opções terapêuticas que podem ser oferecidas aos pacientes. Como toda novidade, há uma curva de aprendizado, e quanto mais informação de qualidade for disseminada, mais contribuímos para as boas práticas clínicas.

Continuaremos publicando conteúdos sobre cada uma dessas terapias, detalhadamente, e trazendo atualizações da comunidade médica em linguagem acessível e objetiva. Seguimos firmes!


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