Postagem ERRA ao afirmar cura do Parkinson com ultrassom!

Post viralizado ontem no Instagram afirma de forma errada que um tratamento curou um paciente com Parkinson. Cuidado!

A internet é um espaço democrático - e isso tem seus prós e contras.
Por um lado, qualquer pessoa pode compartilhar informações. Por outro, não há nenhum tipo de fiscalização ou selo que garanta a veracidade do conteúdo publicado. Um exemplo recente disso foi uma postagem que circulou ontem nas redes sociais, com o título: Tchau, Parkinson - Idoso é curado após 30 anos com tremores; tratamento aprovado nos EUA.

A publicação viralizou rapidamente, sendo compartilhada e comentada por muitas pessoas que expressaram felicidade com a suposta cura da doença e esperança de acesso ao tratamento.

Na descrição, o texto afirmava, abre aspas:
Após 30 anos lutando contra os tremores do Parkinson, Orlando Avendaño, de 72 anos, voltou a escrever, comer e sorrir com liberdade. O motivo? Um tratamento revolucionário com ultrassom guiado por imagens, que não exige cirurgia nem anestesia. Em poucas horas, com um capacete especial, os médicos conseguiram atingir o ponto exato do cérebro responsável pelos tremores e eliminá-los. Meu Deus, é inacreditável, disse Orlando, emocionado. A terapia já está aprovada em 79 centros neurológicos dos EUA e está mudando vidas. Um verdadeiro marco na luta contra o Parkinson.
(Fecha aspas, meu Deus do céu!).

Mas agora, vamos aos fatos - sim, fatos, ou seja, elementos da realidade que aconteceram ou existem, independentemente de crenças ou opiniões:

1. A doença de Parkinson, até o presente momento, não tem cura. Apesar dos avanços científicos e da busca contínua por terapias modificadoras, nenhum tratamento demonstrou eficácia comprovada em curar ou interromper a progressão da doença. Reforçamos: nenhum tratamento que você eventualmente lê na internet cura a doença de Parkinson, nem canabidiol, nem proteínas de choque térmico do Dr. Fulano de Tal, nem ozônio.

2. Todos os tratamentos atualmente disponíveis - como medicamentos, fisioterapia, estimulação cerebral profunda (DBS), neuromodulação e o próprio ultrassom ? têm como objetivo o alívio dos sintomas, e não a cura. São eficazes e pautados na ciência.

3. O tratamento citado na postagem é o ultrassom focado de alta intensidade, conhecido internacionalmente pela sigla HIFU (High-Intensity Focused Ultrasound). Trata-se de um procedimento aprovado pela FDA (agência reguladora dos EUA) desde 2016 para o tratamento de tremores do Tremor Essencial e, desde 2018, também para tremores da doença de Parkinson.
No Brasil, esse tratamento passou a ser realizado este ano no Hospital Israelita Albert Einstein, destinado a pacientes cuidadosamente selecionados após avaliação criteriosa. Apesar da eficácia no controle do tremor, o HIFU não tem qualquer efeito curativo sobre a doença de Parkinson. Além disso, há risco de recorrência do tremor ao longo do tempo, dependendo da progressão da doença.

Um dos motivos que nos inspirou a criar esta plataforma foi justamente combater a desinformação ? oferecendo um espaço com conteúdo confiável, baseado em evidências científicas.

Postagens falsas e sensacionalistas são um desserviço à comunidade médica e um ato antiético com os pacientes e familiares que convivem com essa condição.

Nem sempre é fácil, mas acreditamos que com pequenos passos, conseguiremos grandes feitos. Seguimos firmes.


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