O tratamento do Parkinson está avançando: conheça a levodopa de infusão contínua!
Uma das modalidades das terapias avançadas da doença de Parkinson é a levodopa de infusão subcutânea contínua. No post, explicaremos tudo sobre ela!
Tratamento do Parkinson está evoluindo - e muito!
Se você acha que o tratamento da doença de Parkinson parou no tempo, temos uma ótima notícia: ele está avançando, e de forma significativa!
Além dos medicamentos tradicionais que já fazem parte do cuidado há muitos anos (levodopa, pramipexol, rasagilina, etc), estamos agora vivendo a era das TERAPIAS AVANÇADAS.
Mas o que são essas terapias avançadas?
São formas de tratamento que ajudam a controlar os sintomas motores da doença, usando tecnologias mais sofisticadas e que envolvem dispositivos médicos. Reforçando: elas não curam, mas geram alívio dos sintomas do Parkinson. Os dois principais exemplos são:
- DBS (estimulação cerebral profunda)
- Terapias infusionais, que entregam o medicamento por vias diferentes da oral, como diretamente no intestino ou na pele (via subcutânea)
A terapia avançada mais esperada no momento é a levodopa subcutânea de infusão contínua. Essa formulação, com os compostos foslevodopa/foscarbidopa, já está disponível em países como Estados Unidos, Canadá, Japão e várias partes da Europa. Por lá, ela é conhecida como Produodopa ou Vyalev. No Brasil, aguardamos a aprovação pela Anvisa para que ela possa ser utilizada também por aqui.
Como funciona essa nova forma de usar a levodopa?
A levodopa é apresentada em forma líquida e armazenada em uma seringa conectada a uma bomba de infusão contínua (o famoso pump, do tamanho de um pequeno rádio). Esse pump controla a velocidade com que o medicamento é liberado.
O sistema todo é conectado a uma mangueirinha fina com uma pequena agulha, que aplica o remédio diretamente no tecido logo abaixo da pele (o subcutâneo). Se você conhece alguém com diabetes que usa bomba de insulina, o funcionamento é bem parecido.
Uma vez na gordura abaixo da pele, a substância é convertida na sua forma ativa, a levodopa/carbidopa, que circula pelo sangue até alcançar o cérebro e exercer seu efeito.
E por que isso pode ser melhor do que tomar o comprimido?
Essa nova forma de aplicação traz duas grandes vantagens:
1. Menor interferência da digestão.
Quando tomamos levodopa por via oral, a absorção pelo intestino pode ser irregular, principalmente se for tomada junto com alimentos ricos em proteína ou em casos de constipação.
Com a infusão subcutânea, o medicamento vai direto para a circulação, sem passar pelo estômago e intestino, o que torna seu efeito mais previsível.
2. Controle constante dos sintomas
Como a medicação é administrada de forma contínua, 24 horas por dia, evita-se os picos e vales de concentração no sangue que ocorrem com os comprimidos tomados várias vezes ao dia.
Isso pode reduzir os episódios de travamentos (períodos "off") e também suavizar as discinesias (movimentos involuntários que acontecem quando o remédio está fazendo efeito).
E a ciência comprova tudo isso? Ou seja, este novo tratamento tem evidência científica?
Sim! A gente só compartilha o que tem embasamento científico.
Um dos principais estudos, publicado na revista Lancet Neurology em 2022, comparou essa nova forma de levodopa com a tradicional via oral.
O resultado foi positivo: os pacientes com a levodopa subcutânea tiveram menos tempo em "off" e mais tempo "on" (ou seja, com controle dos sintomas), sem aumento de discinesias.
Uau, fantático. Então, por ser eficaz, todo paciente com Parkinson pode usar essa nova terapia?
Apesar de ser uma grande inovação, essa terapia não é indicada para todos os pacientes com Parkinson.
Ela é mais adequada para quem já está enfrentando flutuações motoras, ou seja: o efeito da levodopa oral dura pouco, os sintomas voltam antes da próxima dose, surgem discinesias enquanto o remédio está funcionando, e a frequência de tomadas precisa aumentar (a cada 4h, 3h ou até 2h).
Nesses casos, a infusão contínua pode substituir a necessidade de tomar vários comprimidos ao longo do dia, oferecendo mais conforto e estabilidade.
Mas se ela é tão boa, por que não oferecer para todo mundo?
Essa é uma pergunta muito válida!
Existem dois motivos principais:
1. É um tratamento mais complexo!
O uso da bomba exige treinamento, cuidado com a pele onde a agulha é inserida e suporte de enfermagem especializado.
O efeito colateral mais comum é a irritação no local da aplicação (podendo até infeccionar). Além disso, nem todo paciente se adapta bem ao uso contínuo do dispositivo (tem que carregar um dispositivo 24h por dia).
2. Nem sempre é necessário!
Pacientes em fases iniciais da doença geralmente respondem muito bem aos comprimidos, tomados poucas vezes ao dia.
Para esses casos, usar uma terapia mais simples e com menos riscos pode ser mais vantajoso ? o novo nem sempre é o melhor para todo mundo, em todo momento.
E qual é a nossa visão?
Estamos ansiosas e otimistas com a chegada dessa nova tecnologia ao Brasil.
Ela será uma opção valiosa especialmente para pacientes que: já tentaram vários ajustes nos medicamentos e ainda têm flutuações motoras, e não podem ou não desejam fazer cirurgia de DBS (que é o tratamento mais eficaz até o momento para o manejo de flutuações motoras refratárias).
Mas reforçamos que será um tratamento que exige acompanhamento de perto por uma equipe treinada, com suporte da empresa fabricante, de profissionais de enfermagem e de um neurologista com experiência no cuidado da Doença de Parkinson.
A seleção do paciente certo, no momento certo, será essencial para que os benefícios superem os desafios do tratamento.
Estamos de olho na liberação da foslevodopa/foscarbidopa no Brasil - e, assim que for aprovada, vamos avisar vocês, por isso, fiquem atentos à comunidade Parkinson News!
Com carinho,
Dra. Joyce e Dra. Isabela
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