Você Dorme Bem? Entenda Como o Sono Está Ligado à Doença de Parkinson

Dormir mal pode ser muito mais do que cansaço: no Parkinson, as alterações do sono são comuns e podem surgir ainda nos primeiros sinais da doença. Um estudo recente mostrou que esses distúrbios são frequentes e, muitas vezes, combinados, aumentando com o tempo e exigindo atenção especial. Entenda mais sobre o assunto.

Você sabia que distúrbios do sono são muito comuns em pessoas com Doença de Parkinson, mesmo no início da doença?
Um estudo recente, realizado por pesquisadores franceses e publicado em 2024 na revista NPJ Parkinson?s Disease, trouxe informações importantes sobre como o sono é afetado no Parkinson ? e o que isso pode significar para o bem-estar dos pacientes.

*O que o estudo descobriu?
Foram avaliadas 162 pessoas com Parkinson em estágio inicial e 58 pessoas saudáveis. Através de entrevistas médicas detalhadas e exames de sono (polissonografia), os pesquisadores chegaram a um dado surpreendente:
Mais de 70% dos pacientes com Parkinson apresentavam algum tipo de distúrbio do sono. E mais: em metade deles, havia dois ou mais problemas de sono ao mesmo tempo.

Isso mostra que as alterações no sono são não apenas frequentes, mas complexas e variadas.

*Quais são os distúrbios do sono mais comuns no Parkinson?

Veja os principais problemas encontrados:

> Insônia: Afeta 41% dos pacientes. O mais comum foi a dificuldade em manter o sono durante a noite (acordar várias vezes), e não tanto para iniciar o sono.

> Sonolência excessiva durante o dia (EDS): Presente em 25% dos casos. Mesmo dormindo à noite, alguns pacientes sentem um sono incontrolável durante o dia.

> Distúrbio do comportamento do sono REM (RBD): Encontrado em 25%. Pessoas com RBD podem falar, gritar ou até se movimentar bruscamente durante os sonhos.

> Síndrome das pernas inquietas (RLS): Ocorre em 16%. É aquela sensação incômoda nas pernas à noite, que só melhora quando a pessoa se mexe.

> Apneia do sono: Curiosamente, foi menos comum nos pacientes com Parkinson do que na população geral.

* E quais fatores estão relacionados a esses problemas?

A insônia foi mais comum em mulheres e se associou à presença da síndrome das pernas inquietas.

A sonolência diurna esteve ligada a sintomas emocionais (como ansiedade e depressão) e também ao uso de certos medicamentos para o Parkinson, como agonistas dopaminérgicos.

O distúrbio do sono REM foi mais frequente em pessoas com maior idade e problemas de pressão arterial (disfunção autonômica).

Quem tinha vários distúrbios ao mesmo tempo geralmente também apresentava uma forma mais avançada da doença, mesmo estando ainda no estágio inicial.

* Por que isso é importante?

Dormir mal não é apenas cansativo ? ele pode piorar sintomas motores, agravar alterações emocionais, afetar a memória e diminuir muito a qualidade de vida.
Muitas vezes, melhorar o sono significa melhorar todo o funcionamento do organismo!

Além disso, problemas de sono podem ser um sinal precoce da Doença de Parkinson ? surgindo até anos antes dos primeiros tremores ou dificuldades motoras.

Por isso, identificar e tratar as alterações do sono desde cedo é uma estratégia muito importante para quem convive com Parkinson.

E você? Você tem dificuldades para dormir, sente sono excessivo durante o dia ou alguém já comentou que você se mexe ou fala muito durante o sono?
Se sim, converse com seu médico!

Cuidar do seu sono é cuidar da sua saúde física, mental e emocional.

Com carinho,

Dra Isabela e Dra Joyce


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