Entenda quais alterações oculares podem estar presentes na Doença de Parkinson.
Um estudo de revisão publicado em 2024 revela que o Parkinson pode comprometer a visão de várias formas, de olho seco e visão dupla a alterações de contraste e alucinações visuais, mas exames oftalmológicos regulares, colírios, exercícios oculares simples e ajustes na medicação protegem a saúde dos olhos e reduzem o risco de quedas. Confira quais são as alterações oculares mais comuns e como trata-las.
Quem convive com Parkinson costuma focar nos tremores na lentidão e na rigidez, mas há muito acontecendo por trás dos olhos: visão embaçada, olho seco e até dificuldade para mudar o foco de leitura podem estar ligados diretamente à doença. Um artigo de revisão publicado em 2024 na Journal of Clinical Ophthalmology & Research reuniu todas essas alterações, explicou por que acontecem e apontou formas simples de controlar cada uma delas.
A seguir, você confere um guia prático, sem termos complicados, para reconhecer os sintomas e proteger sua visão.
Três grandes grupos de alterações oculares no Parkinson
1) Distúrbios causados pela degeneração dopaminérgica:
A falta de dopamina também atinge a retina, onde essa substância ajuda a perceber contraste e cor, e as vias cerebrais que comandam os músculos do olhar. Por isso, muitos pacientes se queixam de cores apagadas, movimentos oculares lentos e sensibilidade à luz. O lado bom: esses problemas geralmente melhoram depois da primeira dose de levodopa ou com ajustes finos da medicação.
2) Distúrbios provocados como efeito colateral de medicamentos:
Doses altas de remédios dopaminérgicos, anticolinérgicos ou noradrenérgicos podem deixar a pupila lenta, turvar a visão ou causar fotofobia. Se notar piora logo após mudar a dose, converse com o neurologista: às vezes basta diminuir a quantidade ou alterar o horário para o sintoma desaparecer.
3) Distúrbios ligados a procedimentos cirúrgicos:
Intervenções como Estimulação Cerebral Profunda (DBS) podem alterar, temporariamente, a forma como os olhos convergem ou se alinham, provocando visão dupla (diplopia). Isso costuma ser reversível com reprogramação do aparelho.
>Principais problemas oculares (e como reconhecê-los)
Olho seco (síndrome da superfície ocular)
- Sintomas: sensação de areia, ardor, lacrimejamento reflexo e visão que ?limpa? depois de piscar.
- Por que acontece: a frequência de piscar cai (chega a metade do normal) e a lágrima evapora rápido.
- O que ajuda: uso de lágrima artificial sem conservantes varias vezes ao dia, hábitos de piscar consciente e uso de óculos com proteção lateral em dias de vento.
Visão dupla ou convergência insuficiente
- Sintomas: duas imagens sobrepostas ao ler ou ver algo de perto, dor de cabeça após poucos minutos de livro.
- Por que acontece: fraqueza dos músculos que ?cruzam? os olhos, agravada pela lentidão motora geral.
- O que ajuda: exercícios de lápis?nasal (aproximar um lápis do nariz e manter o foco) duas vezes ao dia, óculos prismáticos ou fisioterapia ocular.
Movimentos oculares lentos (sacadas e perseguição)
- Sintomas: dificuldade para mudar rapidamente o olhar de um letreiro para outro ou para seguir a bola num jogo.
- Por que acontece: circuitos cerebrais de controle do olhar também perdem dopamina.
- O que ajuda: ajustar levodopa, treinos visuais em aplicativos que pedem troca rápida de alvos e manter boa iluminação.
Perda de contraste e cores ?apagadas?
- Sintomas: degraus ou tapetes escuros se tornam armadilhas; cores parecem desbotadas.
- Por que acontece: degeneração de células dopaminérgicas na retina.
- O que ajuda: ampliar a luz indireta em casa, preferir objetos de alto contraste (fitas coloridas nos degraus) e óculos com filtro amarelo suave.
Alucinações ou ?sombras? visuais
- Sintomas: sensação de que alguém passou ao lado, formas que se movem pelo canto do olho.
- Por que acontece: combinação de visão reduzida + medicação dopaminérgica em doses altas.
- O que ajuda: revisão da dose de remédios junto ao seu médico e manter ambientes bem iluminados para reduzir enganos do cérebro.
Blefaroespasmo e apraxia das pálpebras
- Sintomas: piscadas involuntárias fortes ou dificuldade de abrir as pálpebras depois de fechá?las.
- Por que acontece: distonia ligada à via dopaminérgica.
- O que ajuda: toxina botulínica aplicada por oftalmologista treinado e ajuste de medicação antiparkinsoniana.
Quando marcar o oftalmologista?
> Surgimento repentino de visão embaçada que melhora ao piscar ou pingar colírio.
> Dificuldade nova para ler legendas ou ver letras pequenas do celular.
> Luzes muito fortes ou reflexos incomodando além do normal.
> Sombras ou segundas imagens frequentes, especialmente se coincidir com troca de dose do remédio.
Dica prática: leve um diário de sintomas visuais para a consulta. Anotar hora, atividade e medicação tomada ajuda médico e paciente a descobrir padrões e ajustar o tratamento.
Rotina de cuidados sugerida pela revisão
1) Exame oftalmológico anual ou antes, se notar qualquer mudança.
2) Piscar de propósito: feche os olhos por um segundo a cada duas linhas de leitura.
3) Lágrima artificial: aplique três a quatro vezes por dia.
4) Iluminação forte e indireta: lâmpadas brancas de boa intensidade e sem reflexo direto nos olhos.
5) Exercícios visuais diários: por exemplo alternar o foco entre dedo e objeto distante (10 repetições, 2×/dia) melhora convergência e flexibilidade ocular.
6) Ajuste individual da terapia dopaminérgica: relate ao neurologista se os sintomas pioram sempre perto do fim de dose ou após aumentar a medicação.
7) Consulte um fisioterapeuta ocular se tiver visão dupla ou dificuldade para seguir objetos; sessões curtas orientadas podem acelerar a recuperação.
Mensagem final
Distúrbios visuais na Doença de Parkinson são mais frequentes do que se imagina e mutias vezes esquecidos. Exames de rotina, colírios, luz adequada, exercícios simples e ajustes na medicação ou nos parâmetros de DBS podem devolver conforto, autoconfiança e reduzir o risco de quedas. Lembre-se: cuidar dos olhos também faz parte do tratamento do Parkinson e é um passo importante para manter a qualidade de vida.
Com carinho
Dra. Isabela e Dra. Joyce
Fonte: Bansal, Yashi; Grover, Renu1. Ocular disorders in Parkinson?s disease: A review. Journal of Clinical Ophthalmology and Research 12(2):p 172-176, May?Aug 2024. | DOI: 10.4103/jcor.jcor_111_23
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