Estudo liga consumo de ultraprocessados a sinais precoces da Doença de Parkinson
Enquanto muitos apostam em vitaminas, a ciência mostra que o básico ainda é o mais poderoso: evitar ultraprocessados pode reduzir o risco de Parkinson. Confira:
Você já ouviu falar que a nossa alimentação pode influenciar diretamente a saúde do cérebro?
Um novo estudo, publicado recentemente na revista Neurology, chama a atenção para a relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o risco de desenvolver sinais precoces da Doença de Parkinson.
Alguns exemplos de alimentos ultraprocessados:
- Doces e lanches: bolachas, biscoitos, balas, chocolates industrializados.
- Bebidas açucaradas: refrigerantes e sucos de caixinhas.
- Produtos de padarias industrializados: pães de saquinhos, bolos prontos.
- Salgadinhos e fast food: lanches industrializados (como Mc Donalds), batatas fritas, salgadinhos de pacotes.
- Outros: macarrão instantâneo, lasanhas e pizzas congeladas, sopas de pacote, margarinas com aditivos.
Embora os ultraprocessados já sejam conhecidos por estarem ligados a várias doenças crônicas, como obesidade e diabetes, os pesquisadores agora estão explorando se esses alimentos também podem influenciar sintomas que antecedem o diagnóstico do Parkinson - os chamados sinais prodrômicos, que surgem anos antes dos tremores ou da rigidez muscular. Isto é: são sintomas que sinalizam que a doença de Parkinson já está no corpo do paciente antes mesmo dos sintomas motores clássicos surgirem.
Esse estudo envolveu mais de 42 mil participantes (ou seja, um estudo muito grande, por isso, com grande impacto), acompanhados por décadas nos Estados Unidos. Nenhum deles tinha Parkinson ao início da pesquisa. A equipe avaliou o consumo de ultraprocessados por meio de questionários alimentares repetidos ao longo de mais de 20 anos. Em seguida, os pesquisadores investigaram a presença de sete sinais não motores frequentemente associados à fase inicial da doença, como:
1. Constipação intestinal
2. Distúrbio do sono REM (o conhecido sono agitado da doença de Parkinson, no qual o paciente apresenta sonhos intensos com movimentos e vocalizações)
3. Depressão
4. Dores no corpo
5. Sonolência diurna excessiva
6. Redução do olfato
7. Dificuldade de enxergar cores
Os resultados foram bastante expressivos: pessoas que consumiam mais ultraprocessados tinham até 2,5 vezes mais chances de apresentar três ou mais desses sintomas em comparação com quem comia menos. Ou seja, uma alimentação rica em ultraprocessados pode estar associada a alterações cerebrais bem antes do surgimento dos sintomas motores clássicos do Parkinson.
É importante destacar que o estudo mostra uma associação, e não uma relação de causa e efeito. Mas ele levanta um alerta importante: o que comemos pode ter impacto profundo - e silencioso - na saúde do cérebro.
Embora mais pesquisas sejam necessárias para confirmar esses achados, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados já é uma recomendação válida para diversos aspectos da saúde. E, agora, pode ser também um passo importante na prevenção dos sinais iniciais do Parkinson.
Cuidar da alimentação é cuidar do futuro. Seu cérebro agradece.
Com carinho e responsabilidade,
Dra. Joyce e Dra. Isabela.
Fonte: https://www.neurology.org/doi/10.1212/WNL.0000000000213562
Deixe seu comentário
Comunidade Parkinson News
Seu canal de atualizações sobre a doença de Parkinson: notícias, estudos de impacto, pesquisas em andamento, conteúdo de eventos e congressos, dicas práticas e muito mais!






















































