Hora de medicar ou de almoçar? O que saber antes de misturar levodopa e comida.

Você já ouviu falar que não deveria tomar a levodopa junto às refeições? Saiba o motivo pelo qual esta recomendação existe e como melhorar o aproveitamento da levodopa que você toma.

Você já ouviu falar que a levodopa não pode ser tomada proximo às refeições? Ou ainda, você já percebeu que as vezes, após o almoço, a medicação parece não fazer o mesmo efeito?

Neste texto vamos falar sobre o principal motivo relacionado ao fato de tentarmos afastar a levodopa das refeições e dar nome ao grande vilao: a proteína. Mas atenção, isso não quer dizer que você deveria parar de comer proteínas, apenas escolher melhor o horário em que esses alimentos entram no seu prato.

Por que a proteína atrapalha?

Imagine que a levodopa é um passageiro de trem que precisa fazer duas baldeações para chegar ao destino (o cérebro).

Primeira estação: intestino > corrente sanguínea.

Segunda estação: sangue > dentro do cérebro, cruzando uma cerca rígida chamada barreira hematoencefálica.

Em cada estação existe apenas uma linha férrea, um transportador especial chamado LAT-1. Ele foi projetado para carregar aminoácidos grandes neutros ( que são os pedacinhos em que a proteína dos alimentos se transforma após ser digerida). Por coincidência, a molécula da levodopa é tão parecida com esses aminoácidos que usa exatamente o mesmo trem.

O que acontece quando há muita proteína na refeição?
Plataforma cheia
Depois de um almoço recheado de carne, queijo ou ovos, centenas de aminoácidos entram na estação ao mesmo tempo. O trem LAT-1 fica lotado e a levodopa precisa esperar os vagões esvaziarem.

Atraso na partida
Quanto mais tempo a levodopa fica parada no intestino, maior a chance de ser quebrada por enzimas locais ou eliminada antes de embarcar. Resultado: o remédio demora para fazer efeito ou parece não fazer o mesmo efeito neste horário.

Segunda baldeação congestionada
Mesmo que alguma levodopa embarque no primeiro trem (seja absorvida no intestino), ela repete a disputa na fronteira para entrar no cérebro. Se ainda houver muitos aminoácidos circulando, parte dela simplesmente não atravessa a barreira para entrar no cerebro e fica do lado de fora. A levodopa que não chega à região cerebral adequada também não se transforma em dopamina, o mensageiro químico em falta no Parkinson. e por isso o não há um efeito da medicação conforme esperado.

Fatores que aumentam ou reduzem o problema

Quantidade e tipo de proteína: carnes e laticínios contêm muitos aminoácidos que competem com a levodopa; proteínas vegetais competem menos.

Velocidade do estômago: refeições gordurosas ou muito volumosas esvaziam mais devagar e prolongam a disputa.

Tipo de formulação: levodopa de liberação imediata sofre mais; formas de liberação contínua sofrem menos, mas ainda assim podem ser afetadas.

Ajustes simples (sempre combinados com o seu médico):
- Tome a levodopa com o estômago relativamente vazio ou, pelo menos, 30 minutos antes de uma refeição rica em proteína.

- Muitos pacientes concentram a maior parte das proteínas no jantar, quando não precisam estar tão ativos durante o dia.

- Não aumente a dose por conta própria. Fazer isso sem orientação pode causar náuseas, queda de pressão e discinesias.

Resumindo em uma frase
A proteína não destrói o medicamento; ela só ocupa os mesmos portões de entrada e faz a levodopa chegar atrasada ao cérebro. Controlar quando você ingere proteína costuma ser suficiente para devolver fluidez ao tráfego e garantir que cada dose do remédio faça exatamente o efeito que deve fazer.

Converse com o seu neurologista ou nutricionista para definir os melhores horários de medicação e refeição para o seu caso. Não mude o tratamento por conta própria.


Esperamos que essas dicas ajudem no seu dia a dia.
Um abraço!

Dra Isabela e Dra Joyce


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