Proteja suas noites: medidas de segurança para o sono agitado do Parkinson
Você já ouviu falar em pessoas que, durante o sono, parecem encenar seus sonhos? Falam, gritam, se mexem muito ou até caem da cama? Quando isso acontece com frequência, pode ser mais do que um simples sono agitado. Esse fenômeno, que muitos desconhecem, é chamado de transtorno comportamental do sono REM - mas, aqui, vamos chamá-lo de forma mais simples: sono agitado do Parkinson.
Esse tipo de sono agitado é muito comum em pessoas com Parkinson, embora muitas vezes passe despercebido. E mais: ele pode surgir anos antes dos primeiros sinais motores, como tremores, rigidez ou lentidão. Ou seja, pode ser uma das primeiras manifestações da doença.
Por que isso acontece?
Durante uma fase do sono chamada REM - a fase em que mais sonhamos - o nosso corpo normalmente ?desliga? os músculos para que a gente não se mova enquanto dorme. Mas em algumas pessoas, especialmente nas que têm Parkinson, essa função falha.
O resultado? A pessoa se mexe durante os sonhos. Pode falar, chutar, empurrar, bater, levantar da cama ou cair. Em geral, são sonhos muito vívidos, às vezes até assustadores.
É perigoso? Tem tratamento?
Sim e sim. Quando não tratado, o sono agitado pode levar a quedas, machucados e sustos durante a noite. Além disso, pode prejudicar muito o sono do parceiro que divide a cama - e claro, a qualidade de vida de quem tem Parkinson.
A boa notícia é que temos como cuidar disso! Existem tratamentos e cuidados que podem tornar as noites muito mais tranquilas e seguras para todos.
O primeiro passo do tratamento começa no consultório, com nós neurologistas orientando sobre o sono agitado, que os sonhos (especialmente os mais pertubadores) não têm relação direta com a personalidade da pessoa e que é importante tratar para que os movimentos e as vocalizações dos sonhos agitados não causem lesões ao paciente e nem ao acompanhante que está dormindo ao lado.
O segundo passo do tratamento é o cuidado com o ambiente que o paciente dorme, com o objetivo de mantê-lo seguro. Por isso, abaixo, daremos as dicas que damos aos pacientes com sono agitado no nosso consultório:
1. Proteja o espaço ao redor da cama: retire abajures, relógios, móveis com pontas ou objetos de vidro. Se não puder remover, acolchoe com espumas ou protetores.
2. Evite camas altas ou beliches. Se a pessoa já caiu da cama antes, considere baixar o colchão até o chão ou usar grades laterais acolchoadas.
3. Coloque um tapete ou carpete grosso ao redor da cama, para suavizar possíveis quedas.
4. Se os movimentos estão atrapalhando o parceiro, dormir em camas separadas ou colocar um travesseiro longo entre os dois pode ajudar bastante.
5. Tecnologia também pode ajudar: sensores de movimento com mensagens de voz suaves podem tranquilizar a pessoa durante a noite e alertar em caso de agitação intensa.
6. Em viagens, prepare o quarto com os mesmos cuidados, seja em hotéis, pousadas ou casas de familiares.
Essas pequenas mudanças oferecem mais segurança para quem tem o sono agitado - e também mais tranquilidade para toda a família.
E os tratamentos com remédios?
Sim, também existem opções com medicamentos. Um deles é a melatonina, que ajuda a regular o relógio biológico e pode reduzir os episódios de agitação noturna (portanto, neste caso, ela não é receitada pelo neurologista para fazer dormir e sim para acalmar o sono agitado - reforçamos isso, porque muitos pacientes perguntam o porquê da prescrição, já que conseguem dormir a noite toda).
O mais importante é que tudo isso deve ser orientado por um profissional. Nada de tentar por conta própria. Por isso, temos a Rede de Apoio, para te ajudar a encontrar o neurologista especialista em Parkinson mais capacitado para te atender!
Por fim, um recado importante: você não está sozinho(a)!
Muita gente com Parkinson enfrenta esse tipo de sono agitado - mas poucos sabem que ele tem nome, causa e tratamento. Ao reconhecer esses sinais, você já está dando um passo importante na direção do cuidado.
Se você ou alguém próximo tem Parkinson e se identifica com esses episódios durante o sono, converse com seu(sua) neurologista. Com acolhimento, informação e as medidas certas, é possível dormir melhor, com mais segurança e qualidade de vida.
Com carinho,
Dra. Joyce e Dra. Isabela.
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