Quando o nariz dá sinais: entenda as mudanças no olfato na Doença de Parkinson

Você lembra do cheiro de chuva depois de um dia quente? Ou do perfume que anunciava que o bolo estava pronto? Se essas lembranças parecem distantes, você não está sozinho. Alterações no olfato ( e não apenas a perda completa de cheiro) fazem parte da jornada de muitas pessoas que convivem com a Doença de Parkinson (DP). Leia o texto completo e entenda mais.

A perda de olfato é um dos sinais mais precoces da Doença de Parkinso e geralmente acontece muitos anos antes do aparecimento dos sintomas motores da doença ( como tremor, rigidez, e lentidão). Neste post vamos falr sobre quais mudanças podem aparecer no olfato de uma pessoa com doença de Parkinson, por que isso acontece e dar algumas dicas para o dia a dia.

Primeiro precisamos entender que a alteração do olfato não necessariamente se restringe a perda do cheiro, outras alterações também podem ocorrer:
Hiposmia = o cheiro existe, mas chega muito fraco.
Anosmia = o aroma desaparece por completo.
Parosmia = o perfume muda de caráter; o café fresco pode ganhar odor ?de queimado? ou o sabonete lembrar algo metálico.
Fantosmia = o cérebro ?inventa? um cheiro que não está no ambiente, como fumaça ou produto químico.

Qualquer uma dessas manifestações pode se apresentar anos antes do primeiro tremor ou rigidez. É como se o nariz, silenciosamente, desse o aviso de que algo está mudando lá dentro do cérebro.

Por que acontece?
Existem algumas teorias, mas a mais aceita delas descreve que uma proteína chamada ?-sinucleína, famosa por se acumular nos neurônios dos pacientes com Parkinson, invade precocemente o bulbo olfatório, nossa primeira passagem para os odores. Sem esse ?porteiro? funcionando direito, as moléculas cheirosas chegam, mas a mensagem não viaja bem até a parte do cérebro que interpreta cada odor. Além disso, estudos recentes mostraram depósitos da proteína até na própria mucosa nasal, bloqueando o cheiro na origem.

E qual o problema desa alteração?
Cheirar influencia mais do que você imagina.

No sabor dos alimentos, por exemplo. Quase 80 % do que chamamos de gosto vem do olfato. Quando ele falha, tudo parece insosso e a alimentação corre o risco de ficar pobre.

Nas memórias e humor: os cheiros acionam lembranças e liberam dopamina. Sem ele é mais comum surgir sensação de apatia ou desconexão emocional.

Segurança doméstica: gás vazando ou comida estragada passam despercebidos, aumentando riscos silenciosos.

Dá para investigar?
Existem testes rápidos de cheiros em bastões ou cartelas para serem feitos em consultório mas ainda não é algo tão comum. Se você percebe que perdeu cheiro, vale contar ao neurologista. Uma dica caseira é tentar sentir cheiros mais marcantes como cravo, hortelã ou café e testar como se sai.

O que posso fazer agora?
Treino olfatório: escolha quatro essências fáceis de encontrar (limão, rosa, eucalipto, cravo). Duas vezes ao dia, cheire cada uma por vinte segundos, de olhos fechados, tentando lembrar a que remete. A ciência ainda não prova eficácia garantida, mas o método é seguro, gratuito e pode trazer algum ganho.

Capriche nos temperos e na textura: se o aroma está fraco, intensifique cor, crocância e contraste de temperatura nos pratos. Pimenta aromática, raspas de limão e ervas frescas viram aliadas.

Segurança em primeiro lugar: instale detectores de gás e marque datas de validade com caneta grossa na despensa. Peça ajuda de alguém de confiança para checar alimentos perecíveis.

Memórias aromáticas: mesmo que o cheiro seja fraco, segurar um objeto associado a uma lembrança (uma xícara de café antiga, uma peça de roupa perfumada) ajuda o cérebro a ?preencher? o aroma perdido com imagens e sons.

Converse sobre isso: perda ou distorção de cheiro pode afetar humor e apetite. Compartilhar a sensação com família e equipe de saúde reduz ansiedade e permite ajustes no plano alimentar e na medicação.

Recado final
Mudanças no olfato podem ser estranhas, mas são um capítulo comum , apesar de silencioso, da Doença de Parkinson. Prestar atenção a esses sinais ajuda a cuidar melhor do corpo, prevenir riscos em casa e, quem sabe, participar de pesquisas que buscam novas pistas sobre a doença. Se o café da manhã não cheira mais como antes, vale a pena trazer esse tema para a próxima consulta. O nariz, afinal, também conta histórias sobre o nosso cérebro.

Um abraço

Dra. Isabela e Dra. Joyce









Deixe seu comentário

 


Comunidade Parkinson News

Seu canal de atualizações sobre a doença de Parkinson: notícias, estudos de impacto, pesquisas em andamento, conteúdo de eventos e congressos, dicas práticas e muito mais!