Cães treinados conseguem identificar o cheiro da Doença de Parkinson
Um estudo recente mostrou que dois cães treinados foram capazes de identificar, com boa precisão, o odor característico da Doença de Parkinson presente em amostras de pele de pacientes recém-diagnosticados. A descoberta reforça o papel promissor do olfato - tanto humano quanto canino - como ferramenta de triagem precoce e inspiração para novos exames diagnósticos.
Você já ouviu dizer que alguns cães conseguem farejar doenças como câncer ou diabetes? Agora, a ciência está mostrando que o olfato dos cães também pode ajudar a identificar a Doença de Parkinson!
Um estudo publicado nesta semana no Journal of Parkinson?s Disease, por pesquisadores do Reino Unido, treinou dois cães para farejar amostras de pele (mais precisamente, de sebo - a secreção oleosa da pele) de pessoas com Parkinson que ainda não estavam tomando medicamentos. Esses cães incríveis conseguiram identificar corretamente de 70% a 80% das amostras de pacientes com Parkinson, ignorando com sucesso 90% a 98% das amostras de pessoas sem a doença.
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Por que faz sentido cheirar o Parkinson para identificá-lo?
O cheiro do Parkinson foi uma descoberta científica que não surgiu de uma pesquisa bem estruturada por cientistas altamente graduados. Na verdade, foi fruto da SERENDIPIDADE, que significa a ocorrência de descobertas felizes e inesperadas, muitas vezes por acaso ou sorte; é a capacidade de encontrar algo valioso ou agradável que não estava sendo procurado. E essa história, de tão interessante que é, vale a pena ser contada a vocês:
Em 2012, Tilo Kunath, pesquisador na Inglaterra, durante uma apresentação, foi questionado por uma integrante da plateia se pacientes com Parkinson cheiravam diferente. No momento, ele não tinha uma resposta; a única relação entre olfato e Parkinson que ele conhecia era o fato de que pacientes com Parkinson têm redução do olfato (o que chamamos de hiposmia). Seis meses depois, ainda intrigado com a pergunta, o pesquisador buscou a participante que a fez e encontrou a escocesa Joy Milne: uma enfermeira, viúva de um paciente com Parkinson. Joy alegou que percebeu uma diferença de cheiro em seu marido cerca de seis anos antes do diagnóstico da doença; e, ao participar de encontros de pacientes parkinsonianos, ela percebia o mesmo odor - o que a levou a questionar: será que esse odor diferente está relacionado à doença?
Joy concordou em participar de um estudo piloto - o teste de olfato com camisetas, envolvendo 12 indivíduos: 6 diagnosticados com Parkinson e 6 controles saudáveis. Inicialmente, o resultado de Milne mostrou sucesso na detecção em 11 dos 12 casos; no entanto, o participante do grupo controle que ela identificou como tendo Parkinson foi posteriormente diagnosticado com a doença, elevando sua precisão para 100%. Kunath, o pesquisador, destacou como o nariz de Milne ficou inflamado e dolorido após as duas horas do teste - sua sensibilidade extrema permite que ela discrimine entre odores muito semelhantes, comparável ao sistema olfativo dos cães. Seus superpoderes olfativos são incomuns, mas, como Kunath descobriu depois, não são únicos; após a repercussão na mídia, outras pessoas também relataram perceber um odor em indivíduos com Parkinson, sendo conhecidas como super cheiradoras.
O cheiro dos pacientes com Parkinson é decorrente da produção excessiva de sebo pelas glândulas sebáceas da pele - uma condição que chamamos de dermatite seborreica, um dos sintomas não motores da Doença de Parkinson.
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O que essa informação significa para pacientes e familiares?
- Embora cães não venham a substituir exames médicos, esse tipo de estudo ajuda os cientistas a entender melhor como o corpo muda nas fases iniciais do Parkinson.
- Ao identificar substâncias específicas no cheiro da pele, pesquisadores podem desenvolver, no futuro, testes simples e não invasivos que ajudem a detectar a doença mais cedo.
- O diagnóstico precoce pode abrir portas para intervenções antecipadas, melhores resultados e mais qualidade de vida.
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Vale lembrar: esse estudo envolveu apenas dois cães e ainda está em fase de pesquisa. Porém, os resultados são encorajadores e apontam para um caminho muito promissor!
Aqui na Comunidade Parkinson News, acreditamos que informação de qualidade é parte fundamental do cuidado. Fique com a gente para acompanhar as próximas descobertas que trazem esperança e inovação para quem convive com o Parkinson.
Fontes:
Rooney et al. Trained dogs can detect the odor of Parkinson?s disease. Journal of Parkinson?s Disease, 2025.
https://www.thelancet.com/journals/laneur/article/PIIS1474-4422(15)00396-
Com carinho e responsabilidade,
Dra. Joyce e Dra. Isabela.
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