Dor na Doença de Parkinson: ciência, causas e caminhos para o alívio
A dor no Parkinson é real - e a ciência está olhando para ela.
Você sabia que mais de dois terços das pessoas com Parkinson sentem algum tipo de dor durante a evolução da doença? Muitas vezes silenciosa, ela é ignorada ou confundida com outros problemas.
Quando pensamos na doença de Parkinson, é comum que a primeira imagem que venha à mente seja a de sintomas motores: tremores, rigidez, lentidão nos movimentos. No entanto, existe um outro aspecto, silencioso e muitas vezes ignorado, que afeta profundamente a qualidade de vida de quem convive com a doença: a dor.
Recentemente, um artigo publicado na prestigiada The Lancet Neurology chamou atenção para esse tema. A pesquisa mostrou que mais de dois terços das pessoas com Parkinson experimentam algum tipo de dor ao longo da evolução da doença. Apesar disso, esse sintoma ainda é subestimado, tanto pelos pacientes quanto pelos profissionais de saúde.
A novidade é que os pesquisadores vêm propondo uma nova forma de entender e classificar a dor no Parkinson. Essa abordagem não apenas busca medir a intensidade, mas também identificar o tipo de dor, para que o tratamento seja mais preciso. É um avanço importante, porque a dor no Parkinson não é igual para todos. Ela pode se apresentar como dor nociceptiva, relacionada a músculos, ossos e articulações; neuropática, caracterizada por queimação, formigamento e sensações elétricas; ou nociplástica, quando há uma alteração na forma como o cérebro interpreta os sinais dolorosos, mesmo sem uma lesão evidente.
A origem dessa dor é complexa. Em alguns casos, está ligada diretamente à falta de dopamina no cérebro e à flutuação dos sintomas motores. Aquela diferença entre momentos ON (de boa mobilidade) e OFF (quando os sintomas pioram). Mas não é só isso: outras substâncias químicas cerebrais, como serotonina, noradrenalina e acetilcolina, também participam desse processo, tornando o manejo clínico ainda mais desafiador.
O tratamento, portanto, precisa ser personalizado. Medicamentos que agem no sistema dopaminérgico podem ajudar em dores associadas aos períodos OFF. Para dores musculoesqueléticas, a fisioterapia e exercícios de alongamento são aliados importantes. Já as dores neuropáticas podem responder melhor a medicamentos como antidepressivos e anticonvulsivantes. E, nos casos mais resistentes, técnicas mais avançadas, como bloqueios nervosos ou até mesmo estimulação cerebral profunda, entram em cena.
A principal mensagem que esse estudo nos deixa é clara: a dor no Parkinson é real, frequente e merece tanta atenção quanto os sintomas motores. Conversar sobre isso com o neurologista, descrever detalhadamente as características da dor e buscar um tratamento direcionado pode transformar o dia a dia e devolver qualidade de vida.
Estamos diante de um momento em que a ciência começa a iluminar um território antes negligenciado. E quanto mais falarmos sobre ele, mais chances teremos de oferecer alívio e esperança para quem vive com Parkinson.
Com carinho,
Dra. Isabela e Dra. Joyce
Fonte: Advances in diagnosis, classification, and management of pain in Parkinson's disease. Tinazzi, Michele et al.The Lancet Neurology, Volume 24, Issue 4, 331 - 347
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