Botox no tratamento da Doença de Parkinson: um aliado que vai além da estética
Quando ouvimos falar em botox, logo pensamos em rugas ou tratamentos estéticos. Mas a verdade é que a toxina botulínica pode ter um papel muito maior na vida de quem convive com a Doença de Parkinson.
No Symtox - Simpósio Latino Americano de Toxina Botulínica, realizado em São Paulo, o professor Alberto Albanese (Itália), referência mundial em Parkinson e distúrbios do movimento, trouxe informações valiosas sobre quando o botox pode ajudar no controle dos sintomas.
Trouxemos, então, de forma prática e resumida, os pontos principais da aula do Prof:
Situações em que o botox tem eficácia comprovada - Muitos pacientes relatam sintomas que atrapalham o dia a dia e não melhoram com os remédios tradicionais. Nesses casos, o botox pode ser uma solução:
1. Movimentos involuntários (distonias):
Imagine não conseguir controlar piscamentos intensos ou ter o pescoço puxado involuntariamente para o lado (torcicolo). Alguns pacientes também desenvolvem posturas anormais em mãos e pés, como o pé virado para dentro. O botox ajuda a relaxar esses músculos, trazendo conforto e funcionalidade.
2. Salivação em excesso (sialorreia):
Muitos cuidadores comentam: Ele baba muito, vive com a camiseta molhada ou Ela tem vergonha de sair por causa da saliva. Esse sintoma, além do impacto social, pode aumentar o risco de engasgos. O botox nas glândulas salivares reduz significativamente esse problema.
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Situações em que pode ajudar, mas o benefício costuma ser menor:
1. Tremor resistente aos medicamentos: quando o tremor não melhora mesmo com ajustes das medicações, o botox pode reduzir sua intensidade em alguns músculos.
2. Deformidades nas mãos: comuns com a progressão da doença, podem ser parcialmente melhoradas com o uso da toxina.
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Situações em que o resultado é incerto - Nem sempre há garantia de resposta, mas em alguns casos o botox pode ser tentado:
1. Alterações na postura: como a camptocormia (tronco inclinado para frente) e a síndrome de Pisa (corpo entortado para o lado).
2. Discinesias (movimentos involuntários da levodopa): alguns pacientes apresentam melhora, mas os resultados ainda variam bastante.
Por que isso importa para você?
Viver com Parkinson vai muito além de lidar com o tremor. Sintomas como baba em excesso, dores por posturas forçadas ou dificuldade para abrir os olhos devido a contrações involuntárias podem ser tão incapacitantes quanto os sintomas motores.
Pense no Sr. Carlos, que parou de frequentar o grupo de amigos porque tinha vergonha da sialorreia. Depois do tratamento com botox, voltou a sair de casa com confiança.
Ou na Dona Helena, que sofria com torcicolo doloroso e mal conseguia apoiar a cabeça no travesseiro. Com o botox, a rigidez melhorou e o sono ficou mais tranquilo.
Essas histórias mostram que o botox pode significar mais qualidade de vida, mais autonomia e menos limitações sociais.
Conclusão:
O botox não é a solução para todos os sintomas do Parkinson, mas pode ser uma ferramenta poderosa para situações específicas - especialmente quando os medicamentos não são suficientes.
A mensagem é: cada paciente é único. O tratamento deve ser personalizado, e conversar com seu neurologista sobre a possibilidade de usar botox pode abrir portas para mais conforto e bem-estar.
Com carinho e responsabilidade,
Dra Joyce e Dra Isabela.
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