Congelamento de marcha: novas orientações para seguir em frente

O congelamento de marcha é um dos maiores desafios para quem convive com o Parkinson. Mas a boa notícia é que a ciência está descobrindo novas formas de lidar com ele. Estratégias de tratamento, exercícios e até tecnologias inovadoras estão ajudando a abrir novos caminhos, trazendo mais confiança e segurança ao andar.

Imagine estar caminhando normalmente e, de repente, sentir que seus pés colaram no chão, sem conseguir dar o próximo passo. Essa sensação, chamada de congelamento da marcha (freezing of gait ou FOG), é uma das experiências mais angustiantes para quem vive com a Doença de Parkinson. Além do medo de cair, ela traz insegurança e limita a liberdade de movimento, impactando diretamente a qualidade de vida.

Um grupo internacional de especialistas publicou em 2025, na revista Nature Reviews Neurology, novas recomendações sobre como manejar esse sintoma tão desafiador. O estudo mostra que o congelamento da marcha não tem uma única causa, mas surge de uma combinação de alterações nos circuitos do cérebro responsáveis pelo movimento automático e pela atenção.

Segundo os autores, o tratamento deve seguir duas linhas complementares:

1) Ajustar os circuitos do movimento: isso pode ser feito com medicamentos que repõem dopamina (como a levodopa), terapias avançadas de infusão (ainda não disponíveis no Brasil mas com programação para chegar em breve) ou estimulação cerebral profunda (DBS). O objetivo é reduzir o bloqueio dos movimentos e tornar a marcha mais fluida.

2) Fortalecer redes de compensação do cérebro: estratégias de fisioterapia, exercícios de equilíbrio, treino com pistas visuais ou sonoras (como caminhar seguindo o ritmo de uma música) e adaptações no ambiente ajudam o paciente a superar os episódios de congelamento no dia a dia.

Os especialistas lembram ainda que não existe uma receita pronta válida para todos. Cada paciente apresenta o sintoma de forma diferente: em alguns ele aparece apenas quando a medicação está no fim do efeito, em outros mesmo quando o remédio está funcionando. Por isso, identificar corretamente o tipo de congelamento é essencial para definir a melhor abordagem.

Outro ponto importante é que o congelamento pode ser prevenido ou retardado. Exercícios físicos regulares, desde as fases iniciais da doença, parecem ajudar a fortalecer os circuitos cerebrais envolvidos na marcha, além de melhorar o equilíbrio, a cognição e o humor.

O estudo também ressalta que novas tecnologias estão em desenvolvimento, como sapatos com laser, dispositivos de realidade aumentada e roupas robóticas leves que auxiliam os movimentos. Embora ainda em fase experimental, elas abrem perspectivas animadoras para o futuro.

Uma mensagem final

O congelamento da marcha é um dos maiores desafios no Parkinson, mas hoje sabemos muito mais sobre ele do que no passado. O tratamento exige paciência, criatividade e uma abordagem personalizada combinando remédios, terapias de reabilitação e apoio da família.

A mensagem de esperança é clara: mesmo quando os passos parecem presos, a ciência continua avançando para abrir novos caminhos. E cada pequeno movimento conquistado é, na verdade, um grande passo rumo à autonomia e à qualidade de vida.

Com carinho e responsabilidade,
Dra. Isabela e Dr.a Joyce.


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