O equilíbrio e a Doença de Parkinson: o que a ciência descobriu.
Você sabia que quase 40% das pessoas com Parkinson apresentam alterações no sistema vestibular, responsável pelo nosso equilíbrio?
Isso significa que tonturas e instabilidade podem não ser apenas coincidência, mas parte da própria doença.
A boa notícia é que a ciência está cada vez mais próxima de entender esse processo e de oferecer novas formas de cuidado.
Quando falamos em Doença de Parkinson, a imagem mais comum é a de tremores, rigidez ou dificuldade para se mover. Mas há algo menos conhecido que também pode estar presente: problemas no sistema vestibular, aquele que fica no ouvido interno e é responsável por manter o equilíbrio e nos ajudar a entender onde nosso corpo está no espaço.
Um estudo recente reuniu mais de 100 pesquisas científicas para responder a uma pergunta importante: será que o sistema vestibular também é afetado no Parkinson? A resposta é sim, e isso pode ajudar a explicar sintomas como tontura, instabilidade e até mesmo quedas.
O que o estudo mostrou
Os pesquisadores encontraram que cerca de 40% dos pacientes com Parkinson apresentavam sinais de disfunção vestibular. Isso foi identificado por meio de diferentes tipos de exames:
- Movimentos involuntários dos olhos (nistagmo), que indicam dificuldade do cérebro em processar informações do equilíbrio.
- Alterações em exames de oculomotricidade, mostrando que até os olhos revelam pistas sobre como o sistema vestibular está funcionando.
- Testes vestibulares evocados, que avaliam a resposta direta do ouvido interno a estímulos sonoros ou vibratórios, e que estavam alterados em muitos pacientes.
- Testes de equilíbrio e postura, onde pacientes com Parkinson mostraram mais dificuldade em manter-se firmes em pé ou em movimento.
E não é só em exames: na prática, muitos pacientes relataram tontura, sensação de instabilidade e insegurança ao caminhar.
Por que isso é importante?
Muitas vezes, quando um paciente com Parkinson relata tontura, atribuímos logo à pressão baixa ou a efeitos colaterais de remédios. Esse estudo mostra que existe uma outra explicação possível: alterações no próprio sistema vestibular.
Isso significa que avaliar o equilíbrio deve fazer parte do cuidado integral. Existem ferramentas que ajudam nisso, como:
- Escalas clínicas: a Berg Balance Scale ou o MiniBESTest, que avaliam postura e risco de quedas.
- Questionários específicos: como o Dizziness Handicap Inventory, que mede o impacto da tontura no dia a dia.
Quando esses sinais são identificados, abre-se espaço para intervenções mais direcionadas, como fisioterapia vestibular e programas de reabilitação que trabalham tanto o corpo quanto o equilíbrio.
O futuro do cuidado
Ainda não existe um protocolo único para rastrear disfunções vestibulares em pacientes com Parkinson, mas a mensagem da ciência é clara: isso precisa mudar. Quanto mais cedo essas alterações forem reconhecidas, maior a chance de evitar quedas, melhorar a qualidade de vida e oferecer um tratamento mais completo.
E aqui entra um ponto fundamental: a reabilitação específica. Programas de fisioterapia voltados para o equilíbrio e para o sistema vestibular, têm mostrado bons resultados em pessoas com tontura e instabilidade. Esses exercícios trabalham a adaptação do cérebro, o fortalecimento da postura e a confiança para andar, ajudando o paciente a se sentir mais seguro no dia a dia.
> Mensagem final: Se você vive com Parkinson e sente tontura, insegurança para andar ou já sofreu quedas, converse com seu médico. Além do tratamento medicamentoso, existe a possibilidade de investir em programas de reabilitação especializados em equilíbrio, que podem fazer toda a diferença para sua autonomia e qualidade de vida.
Com carinho e responsabilidade,
Dra. Isabela e Dra. Joyce
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