DBS adaptativo: tecnologia que acompanha o ritmo do cérebro
O DBS (estimulação cerebral profunda) já é um dos maiores avanços no controle dos sintomas motores da Doença de Parkinson. Mas agora, a ciência deu mais um passo: o DBS adaptativo (aDBS).
A estimulação cerebral profunda (DBS) já é uma realidade consolidada no tratamento da Doença de Parkinson em estágios moderados a avançados. O procedimento consiste na implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro, conectados a um gerador implantado no tórax. Esse dispositivo envia estímulos elétricos que ajudam a controlar os sintomas motores, como tremores, rigidez e lentidão, oferecendo melhora significativa na qualidade de vida de muitos pacientes.
Tradicionalmente, a DBS funciona de forma contínua (cDBS), ou seja, os estímulos elétricos são aplicados em intensidade constante ao longo do dia. Embora eficaz, esse modelo não consegue se adaptar automaticamente às variações dos sintomas e das oscilações relacionadas ao uso das medicações.
O que é o DBS Adaptativo?
O DBS adaptativo (aDBS) representa uma evolução dessa tecnologia. Diferente da estimulação contínua, o aDBS ajusta automaticamente a intensidade da estimulação com base na atividade cerebral do paciente, detectada por sinais elétricos (os chamados potenciais locais de campo).
Na prática, isso significa que o sistema pode aumentar a estimulação nos momentos de maior necessidade e reduzi-la quando os sintomas estão controlados, evitando tanto o subtratamento quanto o excesso de estimulação.
O Estudo ADAPT-PD
O artigo publicado recentemente apresentou os resultados do ADAPT-PD, um grande estudo internacional multicêntrico que acompanhou 68 pessoas com Parkinson já em tratamento estável com DBS contínuo
Os participantes foram avaliados em duas modalidades de aDBS:
aDBS de limiar único (ST-aDBS)
aDBS de duplo limiar (DT-aDBS)
Em seguida, puderam escolher qual modo preferiam continuar utilizando em casa por um período prolongado (até 10 meses, com extensão para mais de 1 ano em alguns casos).
Principais Resultados
Controle dos sintomas: A grande maioria dos pacientes (87% no ST-aDBS e 95% no DT-aDBS) teve controle dos sintomas equivalente ao DBS contínuo, mas com a vantagem de ajustes automáticos
Redução de energia: O aDBS reduziu o consumo elétrico em torno de 15%, o que pode se traduzir em maior duração das baterias implantadas
Segurança: Não foram observados eventos adversos graves relacionados ao dispositivo, e os efeitos colaterais menores foram resolvidos com ajustes de programação.
Preferência dos pacientes: Quase todos os participantes (98%) optaram por seguir com o aDBS após o estudo, relatando melhora da estabilidade motora e redução de flutuações
O que isso significa na prática?
O estudo mostra que o DBS adaptativo é tão seguro e eficaz quanto o DBS convencional, mas com o benefício adicional de oferecer um tratamento mais personalizado, que responde em tempo real às necessidades do cérebro.
Esse avanço inaugura uma nova era na neuromodulação, trazendo a promessa de menos efeitos colaterais, maior eficiência energética e, principalmente, mais qualidade de vida para as pessoas com Parkinson.
> Mensagem final:
O DBS continua sendo uma das terapias mais eficazes para o controle da Doença de Parkinson em fases avançadas. Agora, com as novas tecnologias de DBS adaptativo, estamos cada vez mais próximos de um tratamento inteligente, que acompanha o ritmo do cérebro e se ajusta às necessidades individuais de cada paciente.
Com carinho e responsabilidade,
Dra. Isabela e Dra. Joyce
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