Cetonas e Parkinson: o que um novo estudo revela sobre melhorar o desempenho do exercício
Não há dúvidas que o exercício físico é fortemente recomendado ao paciente com Parkinson para fins neuroprotetores. Mas com otimizar seus resultados? Confira este estudo, apresentado no Congresso Internacional de Distúrbios do Movimento no Hawaii.
O exercício físico regular é uma das poucas intervenções com evidência consistente de efeito modificador da doença na Doença de Parkinson (DP). Estudos como o SPARX trial e o Park-in-Shape mostraram que o treino aeróbico, especialmente em alta intensidade, pode retardar a progressão dos sintomas motores, preservar a função dopaminérgica e melhorar a qualidade de vida.
Mas surge uma pergunta prática: como otimizar a performance desses pacientes durante o exercício, especialmente diante da fadiga e da limitação física progressiva?
Uma possibilidade inovadora foi explorada por pesquisadores da Universidade de Oxford, que testaram uma bebida à base de ésteres de cetona - uma forma sintética de ?-hidroxibutirato, corpo cetônico produzido naturalmente pelo organismo em situações de jejum ou exercício intenso. O estudo, publicado na Frontiers in Neuroscience (Norwitz et al., 2020), analisou se essa suplementação poderia melhorar a capacidade de resistência de pessoas com Parkinson durante o exercício.
O estudo
Participantes: 14 pessoas com DP leve (Hoehn & Yahr 1-2).
Desenho: cada participante realizou duas sessões de ciclismo - uma após ingerir uma bebida de éster de cetona + glicose e outra com uma bebida controle isocalórica (apenas glicose).
Protocolo: pedalar a 80 rotações por minuto (rpm) até fadiga.
Resultados principais:
Após consumir o éster de cetona, os participantes aumentaram em média 24% o tempo de pedalada sustentada.
Houve também alterações metabólicas positivas, como menor dependência de glicose e maior uso de gordura/corpos cetônicos como fonte de energia.
Nenhum efeito adverso relevante foi relatado.
Em termos simples: o corpo passou a usar a energia de forma mais eficiente, poupando glicose e reduzindo a fadiga muscular - o que permitiu aos participantes manter o exercício por mais tempo.
Por que isso é relevante?
O ?-hidroxibutirato não é apenas uma ?fonte alternativa de energia?. Ele atua também como molécula sinalizadora, com propriedades neuroprotetoras, antioxidantes e epigenéticas.
Nos modelos experimentais, ele estimula fatores neurotróficos (como BDNF e GDNF) e melhora a função mitocondrial, contornando defeitos típicos da DP (como o bloqueio do complexo I da cadeia respiratória).
Em teoria, portanto, usar cetonas como adjuvante ao exercício poderia potencializar os efeitos neuroprotetores já conhecidos da atividade física.
Mas atenção:
Apesar dos resultados animadores, trata-se de um estudo pequeno e de curta duração - um pontapé inicial para novas pesquisas.
Ainda não há evidências suficientes para recomendar o uso rotineiro de suplementos de cetonas em pacientes com Parkinson.
A segurança e eficácia a longo prazo precisam ser confirmadas em ensaios clínicos maiores e em diferentes estágios da doença.
Assim, este trabalho não significa que o paciente deva sair comprando bebidas cetônicas disponíveis no mercado, muitas das quais não têm composição padronizada nem comprovação clínica.
O que ele nos mostra é uma possível via promissora: a combinação de exercício e suporte metabólico direcionado pode vir a ser uma ferramenta poderosa na busca por tratamentos realmente modificadores da doença.
Em resumo:
1. O exercício continua sendo o melhor tratamento modificador disponível para a DP.
2. A suplementação com ésteres de cetona pode melhorar o desempenho físico e aumentar a eficiência energética durante o treino.
3. O estudo de Oxford é promissor, mas ainda experimental - serve como base científica para futuras pesquisas, não como recomendação clínica imediata.
4. A mensagem principal permanece: mantenha o exercício regular, orientado e seguro - é ele que continua sendo o maior aliado contra a progressão do Parkinson.
Com carinho e responsabilidade,
Dra Joyce e Dra Isabela.
Fonte: https://www.frontiersin.org/journals/neuroscience/articles/10.3389/fnins.2020.584130/full
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