Qual o papel da dieta na doença de Parkinson?

A qualidade dos alimentos ingeridos tem relação na prevenção e na progressão de doença de Parkinson. Neste mês de Outubro aconteceu o principal congresso internacional sobre doença de Parkinson, o Movement Disorders Society Congress. Trouxemos, para vocês, as recomendações dadas:

Dra, como deve ser minha dieta de agora para frente?
Essa é, sem dúvida, uma das perguntas mais comuns após o diagnóstico de Doença de Parkinson.

E a boa notícia é que a alimentação pode, sim, fazer diferença.
Não existe uma dieta milagrosa, mas há evidências cada vez mais robustas de que escolhas alimentares saudáveis podem ajudar na prevenção, no controle dos sintomas e até na redução da progressão da doença.

Durante o MDS Congress 2025, um dos principais eventos mundiais sobre Parkinson, muito se falou sobre isso.

A dieta mediterrânea segue sendo a mais indicada. Talvez porque seja a mais estudada e naturalmente equilibrada - rica em vegetais, frutas, peixes, azeite de oliva, oleaginosas e especiarias naturais. Mas o ponto mais importante é: qualquer dieta saudável, baseada em alimentos naturais, tende a ser benéfica.

Um estudo publicado na Nature comparou a dieta africana tradicional (rica em frutas, verduras e alimentos minimamente processados) com a dieta ocidental (baseada em industrializados e açúcares). Em apenas duas semanas, os participantes que seguiram a dieta africana apresentaram redução da inflamação periférica e do estresse oxidativo - dois fatores relacionados à progressão do Parkinson.

Alimentos que ajudam:
- vegetais e frutas frescas
- nozes e sementes
- peixes não fritos
- azeite de oliva
- óleo de coco
- ervas frescas.

Alimentos que devem ser evitados:
- frutas e vegetais enlatados
- refrigerantes (com ou sem açúcar)
- frituras
- carne bovina
- sorvete
- iogurte
- queijos.

Basicamente: alimentos naturais (frutas, verduras, sementes) e carne branca ajudam; e alimentos industrializados, açucarados e carne vermelha atrapalham.

Além da alimentação, alguns suplementos podem ter papel complementar. Estudos sugerem que coenzima Q10 e óleo de peixe estão associados a uma progressão mais lenta da doença. Por outro lado, suplementos de ferro parecem acelerar esse processo - por isso, qualquer reposição deve ser feita apenas sob orientação médica. Dizemos isto porque, na nossa prática clínica, nos deparamos com bastante frequência com prescrições grandes e caras de suplementos vitamínicos sem qualquer investigação prévia da dosagem destes compostos que estão sendo repostos. Não há evidência de que a supersuplementação de vitaminas do complexo B, vitamina D e vitamina E tenha benefício para melhora motora ou neuroproteção na doença de Parkinson.

Outro ponto em destaque no congresso foi o uso de probióticos, que têm se mostrado promissores para melhorar a saúde intestinal, reduzir inflamações e aliviar sintomas não motores, como constipação, fadiga, depressão e alterações cognitivas.

Em resumo: o que você coloca no prato pode influenciar diretamente a sua saúde cerebral. A recomendação é simples, mas poderosa: prefira o natural, reduza os ultraprocessados e mantenha o equilíbrio.
E sempre que possível, acompanhe com uma nutricionista - especialmente se a(o) profissional tem experiência em tratar pacientes com Parkinson. Uma dieta personalizada para seu status nutricional e sua rotina é fundamental.

Com carinho e responsabilidade,
Dra Joyce e Dra Isabela.


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