A música como aliada do cérebro
Novo estudo mostra que ritmo pode potencializar o efeito do exercício no Parkinson
Caminhar faz bem para o corpo e para o cérebro - e no caso da Doença de Parkinson, essa simples atividade é uma das ferramentas mais poderosas que temos para modificar o curso da doença. Diversos estudos já mostraram que o exercício físico regular, especialmente em intensidade moderada, ajuda a preservar neurônios, melhorar a marcha e o equilíbrio e até retardar a progressão dos sintomas.
Mas uma pergunta que muitos pacientes fazem é: como posso melhorar meu desempenho durante o exercício?
Um novo estudo publicado em 2025 na revista npj Parkinsons Disease traz uma resposta empolgante: com a ajuda da música.
Pesquisadores da Universidade de Boston testaram um sistema digital que combina sensores nos sapatos e músicas com ritmos personalizados - o sistema cria, em tempo real, um batimento adaptado à cadência do paciente, ajudando o cérebro e o corpo a se moverem de forma sincronizada. Essa técnica se chama estimulação auditiva rítmica (RAS) e já era conhecida por melhorar a marcha no ambiente clínico. A novidade é que agora ela pode ser usada de forma autônoma, em casa ou ao ar livre, como um treinador musical portátil.
O estudo acompanhou pessoas com Parkinson por 8 semanas. O grupo que usou o sistema musical: aumentou significativamente o tempo de caminhada em intensidade moderada, deu mais de 3 mil passos a mais por dia do que o grupo controle, e apresentou melhora na estabilidade da marcha, com menos variabilidade no ritmo dos passos.
Além disso, os participantes relataram que a experiência foi motivadora, prazerosa e segura - fatores essenciais para manter o hábito do exercício, que sabemos ser uma forma comprovada de neuroproteção.
O que isso significa na prática?
A música não é apenas uma fonte de prazer. Ela pode ser uma poderosa ferramenta terapêutica, capaz de estimular o sistema motor e emocional do cérebro, melhorar a regularidade dos movimentos e aumentar a disposição para se exercitar.
Ao unir tecnologia, ritmo e movimento, esse tipo de intervenção ajuda o paciente a atingir o nível de esforço que realmente faz diferença para o cérebro - o chamado exercício de intensidade moderada a vigorosa, que está diretamente ligado à neuroproteção.
Em resumo:
O exercício físico continua sendo um dos melhores remédios contra o Parkinson.
E a música pode ser o combustível que torna esse remédio ainda mais eficaz.
Caminhar no ritmo da música, portanto, não é apenas agradável - pode ser uma forma inteligente de cuidar do cérebro.
Com carinho e responsabilidade,
Dra Joyce e Dra Isabela.
Fonte: Porciuncula F. et al. Amplifying walking activity in Parkinson?s disease through autonomous music-based rhythmic auditory stimulation. npj Parkinson?s Disease, 2025.
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