Sexualidade e Doença de Parkinson: um tema que também faz parte do cuidado

A disfunção sexual pode acontecer ao longo da evolução da doença de Parkinson. Frequentemente, esses sintomas não são associados à doença, seja por falta de informação, seja por constrangimento em falar sobre o tema. Como resultado, a disfunção sexual acaba sendo subdiagnosticada, apesar de causar impacto importante na qualidade de vida, na autoestima e na relação com o parceiro ou parceira. Entenda o porquê da relação:

Quando falamos em Doença de Parkinson, é comum pensar imediatamente nos sintomas motores, como tremor, rigidez e lentidão dos movimentos. No entanto, o Parkinson vai muito além disso. Ele é uma condição neurológica complexa, que também afeta aspectos emocionais, autonômicos e relacionais, e a sexualidade está entre eles.

Muitos homens com Parkinson, ao longo da evolução da doença, passam a apresentar algum grau de disfunção sexual. Frequentemente, esses sintomas não são associados à doença, seja por falta de informação, seja por constrangimento em falar sobre o tema. Como resultado, a disfunção sexual acaba sendo subdiagnosticada, apesar de causar impacto importante na qualidade de vida, na autoestima e na relação com o parceiro ou parceira.

É importante compreender que o Parkinson não compromete apenas a dopamina relacionada ao movimento. Ele também interfere em outras áreas do cérebro e em sistemas fundamentais para o funcionamento do corpo, como o sistema nervoso autônomo, responsável por funções involuntárias (entre elas a resposta sexual). Além disso, o Parkinson impõe desafios emocionais e psicológicos importantes. Dessa forma, a disfunção sexual costuma ser resultado de uma combinação entre alterações da química cerebral e fatores psicológicos, e não de um único motivo isolado.

A alteração sexual mais frequentemente relatada é a disfunção erétil, mas ela não é a única. Alguns homens podem apresentar mudanças na ejaculação, redução ou perda da sensação de prazer, diminuição do desejo sexual (libido) ou ainda deficiência de testosterona, que pode contribuir para cansaço, desânimo e queda do interesse sexual. Cada pessoa pode vivenciar essas alterações de maneira diferente, e todas merecem atenção.

No extremo oposto, pode ocorrer a hipersexualidade, caracterizada por aumento excessivo do impulso sexual. Esse quadro, na maioria das vezes, está relacionado ao uso de algumas medicações para o tratamento do Parkinson. Embora menos frequente, é muito importante que seja identificado, pois pode gerar sofrimento emocional e prejuízos sociais, familiares e conjugais.

Além dos aspectos químicos e emocionais, os próprios sintomas motores da doença também podem interferir indiretamente na vida sexual. Rigidez, lentidão e tremores não controlados podem dificultar posições, gerar insegurança, desconforto ou cansaço, impactando a intimidade e a dinâmica do casal. Com o tempo, isso pode levar ao afastamento emocional, se não houver diálogo e orientação.

Antes de atribuir qualquer alteração sexual exclusivamente ao Parkinson, é fundamental avaliar outras possíveis causas associadas, como diabetes, doenças vasculares (especialmente hipertensão), alterações hormonais e efeitos colaterais de medicamentos. Muitas vezes, esses fatores coexistem e podem ser tratados.

O manejo da disfunção sexual no Parkinson deve ser individualizado e integrado, podendo incluir:
1. Acompanhamento conjunto também com o urologista
2. Modificações no estilo de vida, como atividade física regular, sono adequado, alimentação saudável, redução do álcool e do tabagismo. Este tópico é super importante, pois esquecemos o quanto uma vida mais saudável colabora para a saúde sexual e mudanças simples já geram uma melhora importante.
3. Apoio psicológico ou terapia sexual, quando indicado
4. Revisão de doenças associadas
5. Avaliação cuidadosa dos medicamentos em uso que são deletérios para a saúde sexual
6. Consideração de tratamentos específicos, quando apropriado (atenção: não façam uso por conta própria de medicações para impotência, consultem seus neurologistas e urologistas antes).

Em resumo, a disfunção sexual faz parte do espectro de sintomas do Parkinson e deve ser encarada como um componente legítimo do cuidado global. Falar sobre sexualidade é falar sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. Com informação, acolhimento e acompanhamento adequado, é possível identificar caminhos, adaptar expectativas e preservar vínculos afetivos ao longo da jornada com o Parkinson.

Com respeito e atenção à saude de vocês, Dra Joyce e Dra Isabela.


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